As novas medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos colocaram a tarifa EUA Brasil 2026 entre os principais assuntos do comércio exterior brasileiro.

Em julho de 2026, o governo norte-americano anunciou novas tarifas adicionais sobre determinados produtos brasileiros. Como consequência, empresas que já exportam ou pretendem exportar para os EUA em 2026 precisam revisar custos, preços, contratos e estratégias logísticas.

Entretanto, existe um ponto fundamental: as novas tarifas não atingem todos os produtos brasileiros da mesma forma.

Na prática, a incidência depende da classificação tarifária da mercadoria, das exceções previstas pelo governo dos Estados Unidos e de outras medidas comerciais que já podem afetar determinado produto.

Por isso, antes de realizar um novo embarque, o exportador precisa avaliar cuidadosamente cada operação.

O que mudou na tarifa EUA Brasil em 2026?

Em julho de 2026, os Estados Unidos adotaram duas novas medidas fundamentadas na Seção 301 do Trade Act de 1974.

Primeiramente, em 15 de julho de 2026, o governo norte-americano anunciou uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros.

Ao mesmo tempo, diversos produtos ficaram fora da nova tributação.

Segundo o Office of the United States Trade Representative, o USTR, a investigação envolvendo o Brasil abordou temas relacionados ao comércio digital, pagamentos eletrônicos, propriedade intelectual, tarifas preferenciais, acesso ao mercado de etanol e outras políticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais norte-americanos.

A nova tarifa começou a vigorar em 22 de julho de 2026, respeitando regras específicas para mercadorias que já estavam em trânsito.

Poucos dias depois, em 23 de julho de 2026, os Estados Unidos anunciaram outra medida baseada na Seção 301.

Nesse caso, a decisão estava relacionada às políticas internacionais de combate à entrada de produtos fabricados com trabalho forçado nas cadeias globais de suprimentos.

O Brasil passou, então, a integrar o grupo de países sujeito a uma tarifa adicional de 12,5% para determinados produtos.

Portanto, empresas brasileiras precisam analisar se suas mercadorias estão sujeitas a uma das tarifas, às duas medidas simultaneamente ou às exceções previstas.

A tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros pode chegar a 37,5%?

Sim. Em determinados casos, as novas tarifas podem se acumular.

Quando um produto brasileiro está sujeito tanto à tarifa adicional de 25% quanto à tarifa de 12,5%, a sobretaxa adicional pode alcançar 37,5%.

De acordo com levantamento publicado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o MDIC, aproximadamente 16,5% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, considerando como referência o comércio bilateral de 2024, ficaram simultaneamente sujeitas às duas medidas.

No entanto, isso não significa que todos os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos terão uma tarifa adicional de 37,5%.

Pelo contrário.

Segundo o MDIC, aproximadamente 23,1% das exportações brasileiras para os Estados Unidos são alcançadas pelas novas medidas da Seção 301.

Dentro desse grupo:

Cerca de 4,7% estão sujeitos somente à tarifa adicional de 12,5%;

aproximadamente 1,9% estão sujeitos apenas à tarifa adicional de 25%;

cerca de 16,5% podem sofrer a aplicação simultânea das duas medidas.

Além disso, aproximadamente 52,7% das exportações brasileiras analisadas permanecem fora dessas novas sobretaxas da Seção 301 e das tarifas setoriais consideradas pelo levantamento.

Esses produtos, entretanto, continuam sujeitos às tarifas ordinárias aplicáveis no mercado norte-americano.

Outros 24,2% correspondem a produtos alcançados por medidas específicas da Seção 232.

Dessa forma, calcular corretamente a tarifa de importação nos Estados Unidos exige uma análise individual de cada mercadoria.

Quais produtos brasileiros foram afetados pelas tarifas dos EUA?

Os efeitos das novas tarifas variam de acordo com o produto.

Segundo o levantamento do MDIC, entre as mercadorias alcançadas exclusivamente pela sobretaxa de 12,5% aparecem, por exemplo:

  • obras de pedra e gesso;
  • minérios;
  • óleos essenciais;
  • produtos de perfumaria;
  • pescados.

Por outro lado, entre os produtos sujeitos exclusivamente à tarifa adicional de 25%, o governo brasileiro cita o açúcar como um dos exemplos.

Além disso, determinados produtos podem sofrer a aplicação simultânea das duas medidas.

Nesse grupo aparecem categorias como:

  • máquinas e equipamentos;
  • determinados tipos de madeira;
  • gorduras e óleos;
  • calçados;
  • móveis;
  • confecções.

Porém, diversos produtos brasileiros ficaram fora das novas sobretaxas analisadas.

O MDIC cita, entre outros exemplos:

  • café;
  • carnes;
  • aeronaves;
  • suco de laranja;
  • frutas;
  • ferro fundido;
  • determinados produtos químicos;
  • grande parte das exportações de celulose.

Ainda assim, o exportador não deve tomar decisões apenas com base na categoria comercial do produto.

Isso porque as autoridades norte-americanas utilizam códigos tarifários específicos para determinar a incidência das medidas.

Consequentemente, a empresa precisa verificar a classificação correta no Harmonized Tariff Schedule of the United States, o HTSUS.

Por que a classificação tarifária é tão importante?

A classificação correta da mercadoria se tornou ainda mais importante diante da nova tarifa EUA Brasil 2026.

Isso acontece porque produtos aparentemente semelhantes podem receber tratamentos tarifários diferentes.

Portanto, antes do embarque, a empresa precisa identificar corretamente o código aplicável à mercadoria no mercado norte-americano.

Além disso, o exportador deve conferir se o produto aparece em alguma lista de exceções publicada pelo USTR.

Uma classificação incorreta pode provocar problemas como:

  • cálculo inadequado do custo da operação;
  • divergências no processo de importação;
  • pagamento incorreto de tarifas;
  • atrasos no desembaraço;
  • perda de margem comercial;
  • dificuldade na formação do preço final.

Por isso, a análise tarifária deve acontecer antes da negociação comercial e, principalmente, antes do embarque.

O que aconteceu com o chamado “tarifaço de 50%” de 2025?

Outro ponto importante envolve as medidas anunciadas pelos Estados Unidos em 2025.

Naquele momento, uma ordem executiva norte-americana chegou a prever uma tarifa adicional de 40% sobre diversos produtos brasileiros.

Quando combinada com outras medidas vigentes naquele período, surgiu a referência amplamente divulgada a uma tarifa de até 50%.

Entretanto, o cenário mudou posteriormente.

Em 20 de fevereiro de 2026, a Casa Branca determinou o encerramento de determinadas tarifas adicionais impostas com fundamento no IEEPA, incluindo medidas relacionadas ao Brasil.

Porém, essa decisão não eliminou automaticamente tarifas aplicadas por outros fundamentos legais.

As medidas relacionadas às Seções 232 e 301, por exemplo, seguem regras próprias.

Consequentemente, empresas que pesquisam quanto custa exportar para os Estados Unidos em 2026 não devem utilizar apenas informações relacionadas às tarifas anunciadas em 2025.

É necessário analisar as regras atualmente aplicáveis.

Como a tarifa EUA Brasil 2026 impacta os exportadores?

Uma nova tarifa pode gerar impactos que vão muito além do pagamento de impostos.

Primeiramente, a empresa pode enfrentar um aumento relevante no custo de entrada da mercadoria nos Estados Unidos.

Como consequência, o exportador pode precisar renegociar preços com clientes e distribuidores.

Além disso, a nova estrutura de custos pode afetar diretamente:

  • margem de lucro;
  • competitividade;
  • volume de vendas;
  • frequência dos embarques;
  • tamanho dos lotes;
  • nível de estoque;
  • estratégia de distribuição;
  • capital de giro.

Por exemplo, um produto que antes apresentava excelente competitividade nos Estados Unidos pode perder margem depois da aplicação de uma nova tarifa.

Nesse cenário, a empresa precisa avaliar alternativas.

Entre elas estão a revisão do preço comercial, a reorganização do estoque, a otimização do frete internacional e a redução de determinados custos logísticos.

Como as novas tarifas afetam a logística Brasil–EUA?

As mudanças tarifárias também podem alterar profundamente o planejamento logístico.

Afinal, quando o custo tributário aumenta, as empresas passam a buscar maior eficiência em outras etapas da operação.

Nesse sentido, o exportador pode avaliar diferentes estratégias.

Uma delas consiste em consolidar cargas maiores para tentar reduzir o custo logístico proporcional.

Por outro lado, algumas empresas podem optar por embarques menores e mais frequentes para reduzir exposição financeira e controlar melhor os estoques.

Além disso, a localização da armazenagem nos Estados Unidos pode ganhar importância.

Uma estrutura de warehouse nos Estados Unidos, por exemplo, permite organizar estoque, consolidação, distribuição e atendimento aos clientes norte-americanos com maior flexibilidade.

Por isso, empresas que mantêm operações frequentes entre Brasil e Estados Unidos devem analisar logística, tarifas e estratégia comercial de forma integrada.

O que fazer antes de exportar para os EUA em 2026?

Antes de fechar uma nova operação, o exportador deve revisar alguns pontos essenciais.

Primeiramente, confirme a classificação fiscal do produto no Brasil.

Em seguida, identifique a classificação correspondente no HTSUS norte-americano.

Depois disso, verifique se a mercadoria está sujeita às novas medidas da Seção 301.

Além disso, analise possíveis tarifas relacionadas à Seção 232 ou a outros mecanismos comerciais.

Também é importante:

  • recalcular o custo total da operação;
  • revisar o preço de venda;
  • analisar os Incoterms utilizados;
  • definir claramente quem pagará os custos da importação;
  • revisar contratos com clientes e distribuidores;
  • avaliar custos de frete internacional;
  • analisar armazenagem e distribuição nos Estados Unidos;
  • acompanhar novas decisões do USTR.

Dessa maneira, a empresa reduz riscos e ganha maior previsibilidade antes do embarque.

Como reduzir custos de exportação para os EUA?

Embora o exportador nem sempre consiga eliminar uma tarifa comercial, ele pode trabalhar para tornar toda a operação mais eficiente.

Primeiramente, é importante comparar diferentes modais e possibilidades de consolidação.

Além disso, a empresa deve analisar custos portuários, armazenagem, transporte terrestre, documentação e desembaraço.

Outro ponto relevante envolve o planejamento do estoque.

Uma estratégia adequada pode reduzir custos emergenciais, armazenagens desnecessárias e embarques sem planejamento.

Da mesma forma, uma negociação eficiente dos Incoterms pode definir melhor as responsabilidades entre vendedor e comprador.

Portanto, reduzir o custo de uma exportação não significa apenas encontrar um frete mais barato.

Na prática, significa otimizar toda a cadeia logística internacional.

Estados Unidos continuam estratégicos para empresas brasileiras

Apesar do novo cenário tarifário, os Estados Unidos continuam sendo um dos mercados mais importantes para as empresas brasileiras.

Segundo o MDIC, as exportações brasileiras para os EUA alcançaram aproximadamente US$ 40,4 bilhões em 2024.

Em 2025, o valor ficou em cerca de US$ 37,7 bilhões.

Já no primeiro semestre de 2026, as exportações somaram aproximadamente US$ 17,4 bilhões, registrando queda de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Esses números reforçam a importância de acompanhar o mercado norte-americano.

Ao mesmo tempo, mostram que empresas brasileiras precisam buscar eficiência, planejamento e competitividade para continuar expandindo suas operações internacionais.

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Além disso, a Innovare atua apoiando empresas que buscam estruturar ou expandir operações no mercado norte-americano.

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Fontes

As principais referências utilizadas neste conteúdo foram o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), que publicou em 24 de julho de 2026 uma análise consolidada sobre o alcance das medidas para as exportações brasileiras; o Office of the United States Trade Representative (USTR), responsável pelos atos da Seção 301; e a Casa Branca, responsável pelos memorandos presidenciais relacionados às novas medidas.